O moralista
Oh, poetas que cantais
velhas cópulas eqüinas,
olvidando outras vaginas,
que numa escala ascendente,
vos deram gozos candentes
no lupanar das campinas!
Eu que venero o passado
não cometo esta injustiça.
Consulto, pois, minha piça
cuja cabeça se anima
e bem melhor que a de cima
inda canta e não enguiça.
Lembro as primeiras punhetas
que findavam em "cosquinha"
calientes cus de galinhas
que eu fodi a valer
e o inigualável prazer,
- pelando a piça travessa -
de destapar a cabeça
prá um guaipeca lamber.
E as cadelas que eu comia
no meu tempo de menino!
Verdadeiro harém canino
que eu mantinha no galpão.
Só uma cachorra bandida
certa vez de uma mordida,
quase me deixa capão!
Depois passei para ovelha
a quem não dava quartel.
Mas a eterna lua de mel
que com uma porca mantive
é lembrança que ainda vive
do meu campeiro bordel...
Por fim a revelação
do prazer de comer égua,
quando a orgânica régua
de cabeça colorada
se transfìgurava na espada
de arremetida mui macha
- piça criada em bombacha,
pau do tempo do barato!
(Se o teu passado retrato
minha lembrança se alonga,
pois por ti, velha pichonga,
passou uma fauna tão vasta
que a memória se desgasta
em mental masturbação...)
E para a ejaculação
desta foda no passado,
vos digo, oh poetas tarados,
para concluir a lista,
que já fodi angolista,
pato, marreco e peru,
e pra se sincero e cru
- verdade que não escondo –
só não fodi marimbondo
porque tem ferrão no cu!
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